O segundo semestre de 1995 com certeza representou o pior momento da história da Torcida Mancha Verde, pois todos os segmentos que tinham interesses políticos ou financeiros contrários às Torcidas Organizadas, concentraram-se naquele lamentável episódio da briga entre Palmeirenses e São Paulinos no Pacaembú. Episódio este em que ficou absolutamente claro que não tivemos culpa pelo acontecido. No entanto estes segmentos levianos, principalmente boa parte da imprensa, aproveitou-se para acusar, difamar, e "plantar" informações absurdas e caluniosas contra as Torcidas, tendo como alvo principal a Mancha Verde. Sem dúvida foi uma fase terrível, onde fomos leiana e impiedosamente colocados contra a opinião pública. E quando tentamos nos defender, acabamos sendo censurados justamente por quem mais sofreu com a censura neste país. Foi um momento em que era preciso muita coragem para simplesmente afirmar que pertencíamos a Mancha. Foram ataques e mais ataques, mentiras e mais mentiras. Sumiram as pessoas que nos apoiavam e revelaram-se os falsos amigos e falsos "Manchas".
No entanto, devido à garra e ao amor pela entidade de alguns abnegados, o nome Mancha Verde não sucumbiu. Mesmo por que precisávamos provar a "eles" que as coisas não são bem assim. Que não seria um simples processo da justiça que acabaria com toda a tradição, toda a história e todas as lutas de uma comunidade forte como a nossa e com tudo que ela sempre representou. Teríamos que lembrar a "eles" que neste país desde há muito tempo já não se praticava o fechamento de instituições meramente por interesses de elites. E quem seriam "eles" para nos tomar o direito de existir?
E foi na busca deste nosso direito de existir, que num ato de coragem, contra tudo e contra todos, decidimos fundar em 18 de Outubro de 1995 o Grêmio Recreativo e Cultura Bloco Carnavalesco Mancha Verde, atualmente Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Mancha Verde.
Mas não foi somente em decorrência destes fatos que esta nova Entidade totalmente distinta da Torcida foi fundada. Pois bem antes daquele episódio, a Mancha como Torcida já havia adaptado seu Estatuto Social e já estava com sua participação assegurada no Carnaval Oficial da cidade de São Paulo como Bloco Carnavalesco.
Além disso os fatos estão provando que a criação desta nova Entidade não representou um "drible" na justiça, como nos acusaram de ter feito na época, os idiotas de sempre. Pois hoje é inegável o respeito e o reconhecimento da Comunidade do Samba para com a Mancha Verde. Além disso, possuímos 7 títulos nos 7 carnavais que realizamos. Fomos cinco vezes Campeões e duas vezes vice. E mesmo nestas duas vezes que ficamos com o vice-campeonato, fomos aclamados pelo público e pelos críticos como os campeões de fato. Uma pena que inexplicavelmente este direito não nos foi dado em virtude de absurda avaliação de alguns jurados. Sem falta modéstia, nossos desfiles sempre foram marcados pela grandeza, pela garra e pela beleza. Sabemos que temos muito que aprender ainda e vamos aprender com toda a humildade possível, mas entendemos que não basta apenas participar, mas também procurar engrandecer e honrar o Samba Paulistano.
É com este espírito, com este trabalho e com este respeito que pretendemos alcançar nosso objetivo principal que é o de chegar ao Grupo Especial de Escolas.